• Ariane Angioletti

Aproximadamente 9 milhões de brasileiros 50+ são analfabetos

Os dados do analfabetismo brasileiro são do IBGE e demonstram que este ainda é um problema social bastante latente e que precisa ser combatido.

Sabe-se que o analfabetismo no Brasil já teve números de epidemia. Nossa população não tinha acesso à educação como tem hoje, assegurado em lei.


Porém, acabou-se criando a falsa ideia de que estamos lidando bem e exterminando o analfabetismo, especialmente quando percebemos o aumento no número de pessoas graduadas nas universidades.


Ainda falhamos, do ponto das políticas públicas, como educadores. Nossas políticas ainda estão direcionadas para os jovens e especialmente para os números e índices sobre educação. O resultado disto é o número gigantesco de analfabetos funcionais que possuímos.


Temos 9 milhões de analfabetos com 50 anos ou mais. Destes, 6 milhões são idosos. Quase 40% destes, estão no Nordeste, e 10% na região Sudeste. Temos, ainda, um número bem alarmante: de todos os alfabetizados no Brasil, 38 milhões são alfabetos funcionais.


O que isso significa? Que essas pessoas assinam seu nome, às vezes fazem contas básicas de 1+1, conseguem decorar o número ou nome da linha do ônibus e outras informações que se repetem no seu dia-a-dia. Elas conseguiriam, numa regra geral, ler todo este texto, reunindo as sílabas e as frases, porém, ao final, não conseguiriam explicar o que leram.


E qual o motivo de ainda termos adultos e idosos analfabetos ou alfabetizados funcionais?

Inicialmente, pensando nas pessoas de 50 ou mais, elas nasceram do anos de 1970 para trás. Momento em que não tínhamos políticas de educação. São os jovens adultos, crianças e adolescentes que atravessaram parte de ditadura.


Entre as décadas de 1960 e 1970, os brasileiros passavam, em média, dois anos na escola e mais de um terço da população com mais de 15 anos era completamente analfabeta no país.


Nos anos 60, os homens brasileiros estudavam, em média, 2,4 anos ao longo da vida, enquanto as mulheres tinham 1,9 anos na escola. A população negra estudava menos de um ano. Cerca de 46% da população era analfabeta, não conseguindo assinar o próprio nome.


Uma década mais tarde (1970), os números não eram muito melhores. Os homens estudavam 2,6 anos e as mulheres, 2,2 anos. Quatro em cada dez brasileiros ainda eram analfabetos e o percentual de analfabetos cai para um terço dos brasileiros (33%) na década de 1980.


Esses brasileiros cresceram, formaram famílias muitas vezes numerosas e seus filhos mais velhos eram retirados da escola para auxiliar no cuidado dos mais novos. Ainda existia o forte apelo do trabalho infantil, que passou a ser combatido na mesma Constituição Federal que veio assegurar o acesso à educação, em 1988.


Nos dias atuais, os governos oferecem os programas de Educação para Jovens e Adultos, onde os idosos estão incluídos. Porém, algumas questões mantém os idosos longe das salas de aula.


- A cultura de que idosos não estão aptos a aprender mais nada, como reflexo do preconceito social que o brasileiro tem com a velhice. Combater esta crença que muitos idosos tem de si próprio é algo fundamental, pois perpassa pela construção e afirmação de cada indivíduo como sujeito de direitos e como cidadão.

- A oferta das aulas, majoritariamente, são no período noturno. Se não oferecemos a mínima segurança para que os idosos transitem durante o dia, como se sentirão seguros para estar fora de casa até às 22h30?

- A resistência ou vergonha dos idosos de estar em turmas formadas por pessoas mais jovens e que, hipoteticamente, aprendem mais rápido e sabem usar a tecnologia como apoio da aprendizagem.

- As pessoas com 50 ou mais ainda exercem papéis funcionais em suas famílias. Muitas das vezes, eles estão cuidando dos netos para que os filhos estudem no período noturno.


Estes não são os únicos motivos, mas são os que mais escuto na minha rotina com idosos, em palestras, grupos de idosos, nos atendimentos no escritório.


O reflexo do analfabetismo, já na velhice, é a dependência ainda maior de terceiros para realizar atividades diárias, como ler uma prescrição médica, assinar documentos e responder sozinho nos atendimentos realizados. Depender de auxílio para o seu deslocamento, especialmente quando a tecnologia está tomando conta de todos os serviços e de maneira cada vez mais orbitando pela linguagem escrita.


E o que podemos fazer? Estimular o idoso a querer aprender, desconstruindo a ideia que existe "idade certa para aprender". Motivar a criação de turmas da Educação de Jovens e Adultos direcionada ao público idoso, considerando as suas necessidades, a adequação do material, do espaço físico, de sua localização e do horário das aulas.


Você também pode abordar os idosos que conhece, que não sabem escrever, e se disponibilizar a ensinar o "abc" a ele, aos poucos, com carinho e cuidado, até que ele(a) se sinta seguro para buscar a continuidade do aprendizado.


Você quer ler mais sobre envelhecimento e direito do idoso? Então clica aqui: https://www.arianeangioletti.com/artigos que estou sempre trazendo dados e informações!


Se você chegou a este texto por alguma rede social, não esqueça de curtir e compartilhar, assim a informação aparecerá para mais pessoas e, juntos, vamos disseminar a cultura do envelhecimento saudável, ativo e sustentável!


Fontes:

1.http://portal.inep.gov.br/documents/186968/484154/Estat%C3%ADsticas+da+educa%C3%A7%C3%A3o+b%C3%A1sica+no+Brasil/e2826e0e-9884-423c-a2e4-658640ddff90?version=1.1

2. https://educa.ibge.gov.br/jovens/conheca-o-brasil/populacao/18317-educacao.html

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Criado por Ariane Angioletti. Todos os Direitos Reservados.

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