• Ariane Angioletti

Histórias de Vó: Oma Carmem e o exemplo de superação


Quando eu era pequena, vivia na casa da minha vó. Sou de Joinville e a chamamos carinhosamente de Oma ou Omama. Ela já teve grandes perdas, uma delas no início dos anos 90, quando perdeu o marido, a quem amava muito e outra no início dos anos 2000, quando perdeu a minha mãe.


Ela costuma dizer que sempre está presente nestes momentos difíceis, pois tanto com a minha mãe, quanto com o meu avô, ela estava junto na hora que eles partiram. No caso da minha mãe, eu também estava lá, somente nós duas e isso gerou uma conexão ainda mais forte, pois vivemos aquele momento difícil juntas.


Mesmo passando por tanta dor, a minha vó nunca desanimou. Seguiu a vida, ensinando para todas as netas os valores que aprendeu ao longo da vida e sempre teve uma palavra calorosa ou um bom conselho.


Quando contei a ela que iria me casar, perguntei: “Oma, eu vou me casar. O que você acha disso?” Ela prontamente respondeu: “Ale, quem tem que saber se ele é a pessoa certa é você. Minha parte é ficar feliz! E a vó feliz”. Achei aquele momento tão lindo, de uma sabedoria tão grande, que jamais esqueci.


Este é apenas um relato. Eu teria muitos e muitos mais para falar sobre a dona Carmen e sobre todas as lembranças que temos. Mas eu preferi falar o quanto ela foi importante na minha construção como mulher.

A minha vó sempre teve muitos talentos manuais: ela borda, crocheta, tricota, cozinha muito bem. Quando meu avô morreu, ela assumiu todos os reparos e outras funções da casa onde morava, pois ela seguiu morando na mesma residência. Eu me lembro que ela consertava de tudo, usava formão, martelo, serrote... Não tinha medo de nada e adorava mexer com madeira. Eu via tudo isso e me encantava.


Não tinha 'isso é coisa de homem' ou 'isso é coisa de mulher', tão comuns para rotular os ofícios na época. Aquela independência toda me fascinava e, além de ser um exemplo, a minha vó tinha uma paciência infinita para ensinar as netas as habilidades manuais e estar com ela, na sua casa, era sinônimo de soltar a criatividade, de não ter medo de inventar.


Hoje, eu bordo, costuro, cozinho, amo marcenaria, só não sei fazer crochê e não lembro como tricotar - desculpa, Oma! Mas a independência! Ah, isso eu herdei dela! E me orgulho muito de não ter medo de aprender e resolver os problemas. Só tenho a agradecer essa grande mulher, que é minha inspiração. Rezo para envelhecer com a mesma sabedoria, força e bom humor dela.

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